<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5371496613414630692</id><updated>2011-11-06T11:57:43.453-08:00</updated><category term='Textos'/><title type='text'>Traços da Imaginação</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tracos13.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5371496613414630692/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tracos13.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>CJ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14067923468960030011</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-uAlDVZ6gOgU/TrauS1FiJoI/AAAAAAAAAYI/nDV8WzHFtEs/s220/images.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>4</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5371496613414630692.post-6544748394885801361</id><published>2010-09-23T13:38:00.000-07:00</published><updated>2010-09-23T13:40:23.529-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>O Avô</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com  os seus olhos preto-noite, fitou o espaço universal em seu redor. Tudo  era imenso, majestoso, e ao mesmo tempo, alcançável. A cada inspiração  do ar nocturno e enregelante da montanha, sentia nos pulmões a estranha  certeza de que a eternidade incomensurável estava à distância de um mero  fechar de olhos, um lançar-se destemida para o abismo. Longos anos  pesavam-lhe nas costas jovens. Nova, sentia-se velha. Como se o seu  corpo funcionasse com um &lt;i&gt;eternómetro &lt;/i&gt;que lhe garantia a vida eterna das células involuntárias, mas esquecesse a alma cansada e gasta. Sabia a pó, a névoa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do  alto da paisagem familiarmente distante, acariciava-lhe o rosto a  lembrança saudosa da primeira visita à gruta, quente, iluminada e  rugosa, de paredes raspadas a braille, desenhadas de estrias sem forma.  Ele segurara-lhe a mão temerosa com delicadeza, e a mão dele, grande e  forte, matara-lhe a fragilidade. Naquela época, ele era um homem roliço,  de músculo vibrante e confiante, respeitado por todos. Era o avô  paternal, o guia à construção do bom carácter.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;Culto,  em tom misterioso ele apresentara-lhe aquela gruta como quem descreve  uma filha, amada e querida, nos seus defeitos e virtudes. Com ele,  conheceu cada fragmento, estalagtites e estalagmites em labirintos de  rocha e alma escorrida. As pequenas lagoas iluminadas pelos raios de sol  que se atreviam por fendas perfuradas ao som do vento, inundavam de  paz, sonho. Ali o tempo parara. “Aqui tudo é eterno.”, dissera-lhe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante  anos, fizeram daquela visita um ritual único. Como uma celebração de fé  a um deus da Natureza, trepavam a longa montanha para ver a gruta e os  seus novos traços. A cada ano, revelava-se uma fenda mais incrível, um  cristal recém-nascido. Tal como a gruta, o avô ganhou novos contornos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inundou-se  uma vez mais do ar frio da noite, e sentiu-lhe a fisionomia marcada. A  idade fizera-o magro, pequeno, sorriso e rugas sábias que lhe  emolduravam a boca. Por fora, era outro homem, mas por dentro, ela  sabia-o a personificação da gruta: sempre bela, sempre inabalável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhando  para o céu escuro tristeza, sentiu uma lágrima traidora descer-lhe pelo  rosto, qual alpinista suicida. Abriu a mão para fitar o dedal de  porcelana pintado com estrelas. Sacudira-lhe o pó o melhor que fora  capaz, esfregando-o na camisola cansada. As estrelas viviam ainda uma  cor amistosa, como um dorminhoco que desperta com um sorriso. O dedal  parecia agora muito mais pequeno, na sua mão de mulher crescida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;O avô  adorava dedais. Escondida, brincava com a colecção dele, criando  histórias para cada ilustração delicada. Na altura em que o dedal foi  roubado, o favorito do avô, ela pintara aquele dedal branco e  oferecera-lho, com estrelas para iluminar o olhar triste que se  apoderara dele. Fora o melhor presente que ele já recebera. Amor e  inocência ao toque de um dedo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa  das viagens, adormeceram-no num saco de cetim e enterraram-no num canto  da gruta, marcando o local predilecto dos dois. O avô explicara-lhe que  aquele presente ali estaria seguro, a sepultura ideal, e que um dia que a  sua velhice terminasse, ela poderia recuperá-lo e tê-lo junto a ela  para sempre, pois a sua alma estaria no dedal. Assim, não viveria a  preocupação desesperante de o perder.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora  que fitava o dedal, fresco e delicado na mão suja de terra desiludida,  desejava que o avô fosse mais do que uma lembrança no seu coração de  menina. A gruta já não fazia sentido para ela. Com os dedos incrédulos,  fechara os olhos dele nessa manhã, e fechara-se para a vida. Estava  decidida a acompanhá-lo para sempre, em quaisquer descobertas e  caminhadas. Até ao fim do mundo. Até ao fim do universo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; Inspirou…  Fechou os olhos calmamente, e num voo de libertação, abandonou para o  abismo o branco vazio que por esse dia ameaçara dominar a sua alma… E  junto com o dedal, voou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________________&lt;br /&gt;Desafio livre - &lt;a href="http://fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/"&gt;Fábrica de Letras&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5371496613414630692-6544748394885801361?l=tracos13.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tracos13.blogspot.com/feeds/6544748394885801361/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tracos13.blogspot.com/2010/09/o-avo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5371496613414630692/posts/default/6544748394885801361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5371496613414630692/posts/default/6544748394885801361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tracos13.blogspot.com/2010/09/o-avo.html' title='O Avô'/><author><name>CJ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14067923468960030011</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-uAlDVZ6gOgU/TrauS1FiJoI/AAAAAAAAAYI/nDV8WzHFtEs/s220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5371496613414630692.post-6854872638581238370</id><published>2010-07-05T03:42:00.001-07:00</published><updated>2010-07-05T03:44:20.490-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>A Flor Dourada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_vQxzY3Igb1w/TDG3IxlITqI/AAAAAAAAAMo/evpCeFjxVvg/s1600/flor+dourada.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 276px; height: 276px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_vQxzY3Igb1w/TDG3IxlITqI/AAAAAAAAAMo/evpCeFjxVvg/s320/flor+dourada.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490370782117252770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tempo parou nela. Com a flor na mão, sentia ainda a doçura com que ele a colhera para lha oferecer. As pétalas douradas e imortais brilhavam-lhe nos olhos doces que a cada elogio dele se iluminavam. Quanta saudade tinha dele…&lt;br /&gt;Fechou os olhos pela milionésima vez, envolvida nesse pensamento que a embala tranquila. E tudo se tornou vivo de novo.&lt;br /&gt;Estava sentada no banco de jardim, entretida a bordar uma tira para aplicar numas toalhas que a madrinha lhe dera para o enxoval. Adorava o modo como a agulha invadia o tecido de linho, perfurando-o num pedido de licença silencioso, acariciando-o depois com a linha que suavizava a sua passagem. A cada travessia, um pequeno traço se derramava no tecido cru, e ia somando o desenho, como gotas que se juntam e dão origem a um oceano. Bordar era para ela um prazer, uma dança das mãos delicadas.&lt;br /&gt;Já tinha visto aquele rapaz várias vezes ali por perto. A primeira vez que o viu, foi mero acaso. Levantou os olhos ao escutar as gargalhadas de uns gaiatos que atravessaram o jardim a correr, e reparou no rapaz sentado na beira do passeio, do outro lado da rua. Compenetrado num mundo muito seu, ele desenhava. Naquela primeira vez, ela resolveu não lhe dar muita atenção.&lt;br /&gt;Contudo, tal como a presença dela, diária, no banco de jardim, a presença dele foi-se fazendo notar. Todos os dias, ele desenhava, e por várias vezes, pareceu-lhe que os olhos dele tocaram os dela. Corava terrivelmente, e nesses dias não levantava mais a cabeça do bordado.&lt;br /&gt;Um dia, ele sentou-se no lado da rua em que ficava o jardim. Segurando a flor nas mãos trémulas, ela deixou cair uma lágrima na recordação. Era como se tivesse sido hoje.&lt;br /&gt;Acabada de dar um ponto no desenho de um pássaro, os olhos dela buscaram ansiosos a esquina do costume. Num só segundo, sentiu-se disparar da desilusão para o espanto. Ele estava no passeio que ladeava o jardim, virado para ela, como sempre, a desenhar. Nesse mesmo segundo, ele olhava para ela, e sorriu. Sem pensar, ela corou num sorriso disfarçado, e continuou o bordado.&lt;br /&gt;Vários dias se passaram, e a distância do rapaz foi diminuindo lentamente. Sentava-se no chão, com o bloco sobre as pernas, e o lápis de carvão na mão, e olhava para ela, enquanto ela bordava. Junto com o passar dos dias, o sorriso dela foi ganhando um lugar fixo no seu rosto, sentindo o calor do olhar dele a queimar-lhe a pele alva e pura.&lt;br /&gt;Aquele encontro silencioso tornou-se um grande ponto do dia, determinado para ambos. E quando a mãe dela lhe disse que teriam de viajar até à aldeia de onde vinham, para rever os negócios, o coração dela caiu-lhe aos pés. Precisava daquele momento no jardim, mesmo nada sabendo do alvo do seu sorriso. Era por ele que sorria, era para ele.&lt;br /&gt;Sentou-se com a flor dourada na mão. A dor da distância vivida naquela época palpitou-lhe na alma como se fosse hoje, como se naquele mesmo momento ela fosse arrancada rumo à aldeia e ele ficasse abandonado, sem nada saber do seu sorriso. Suspirou na lembrança, e as frágeis pétalas estremeceram com o ar exalado da sua boca.&lt;br /&gt;A semana que passara na aldeia ardeu-lhe no coração como brasas perfurando um tecido delicado. A saudade daquele estranho familiar toldava-lhe o pensamento, não lhe dando sossego tempo algum. Questionava-se o que pensaria ele da sua ausência. Questionava-se se ele se importaria. E se quando regressasse, ele não mais estaria no jardim.&lt;br /&gt;Tentou disfarçar o tempo todo, para que os pais não se dessem conta de que algo a apoquentava. Mas nos momentos só, durante o dia caminhava por entre as flores do campo, sonhando-o ao lado dela, a trocarem algumas palavras pela primeira vez, e durante a noite, sonhava com o toque da mão dele na dela.&lt;br /&gt;Nas flores via o perfume do jardim de um amor silencioso, e indagava-se se alguma vez lhe seria dado a conhecer a arte a que ele tanto se dedicava.&lt;br /&gt;E chegou mesmo a desabafar com a prima que vivia na aldeia, contando daquele encontro inocente e magnífico, do qual estava já dependente para ser feliz. A prima, amiga fiel, jurara segredo, e confessara também os seus amores de moça.&lt;br /&gt;O dia em que regressou à cidade foi de festa. Pelo menos dentro dela, pois os pais não poderiam desconfiar de nada, sob pena de a impedirem de sair de casa para ir ao jardim. A viagem de carro foi feita com um sorriso inconsciente nos lábios rosados, com o passar das casas e dos campos diante da janela. Era bom andar de carro, agora que eram vendidos pela primeira vez às pessoas de posse da cidade. O embalo do motor fazia-a sonhar acordada.&lt;br /&gt;Naquele mesmo dia, pediu licença à mãe para ir até ao jardim dar um passeio e matar as saudades das flores. Saiu disparada de casa, tão apressada que se esqueceu de levar o bordado. Nada importava, queria voar, se pudesse, para novamente marcar presença no seu banco.&lt;br /&gt;Chegando lá, sentou-se ofegante, com o coração a bater-lhe na boca. Só então se deu conta de que levava as mãos vazias, e não tinha como disfarçar os seus olhares. Entrelaçou as mãos nervosas, tentando acalmar a ansiedade, ao mesmo tempo que perscrutava a paisagem em busca da figura querida. Mas na ausência dele, a respiração não acalmou.&lt;br /&gt;Os dedos apertaram-se num sufocar tenso, e um nó assomou-lhe à garganta. Não podia ser. O que ela temia não podia ter acontecido. Seria muito cruel, um destino implacável e frio, a visão dele ter-lhe sido arrancada em apenas uma semana de ausência.&lt;br /&gt;Esqueceu a necessidade de disfarçar, e o seu olhar começou a percorrer os cantos e espaços, o passeio, os arbustos, a rua. Ele não podia ter desaparecido! As visitas ao jardim não seriam a mesma coisa, e o bordado perderia toda a cor…&lt;br /&gt;- Pensava que tinha feito algo errado, e te tinha afastado.&lt;br /&gt;A voz ao lado dela sobressaltou-a. E o coração assomou-lhe à cabeça quando viu os olhos dele mais perto do que nunca. O rosto ferveu-lhe de vergonha, e os dedos nervosos apertaram-se até doerem. Ali estava ele, sentado no banco dela, sem o silêncio da timidez.&lt;br /&gt;A pele morena brilhava ao sol, num contraste extremo com a pele dela, branca e delicada. Os cabelos rebeldes espalhavam-se em caracóis negros na cabeça de jovem, e os olhos verdes roubavam a alma dela naqueles segundos.&lt;br /&gt;- Queres ver? – perguntou ele, apontando para o bloco de papel onde há tanto tempo desenhava. – Está pronto, finalmente.&lt;br /&gt;A cabeça dela moveu-se instintivamente, afirmando a sua curiosidade. E quando os seus olhos repousaram no desenho dele, sentiu-se estremecer. No papel branco e tosco, em traços perfeitos de carvão, estava uma composição de várias representações dela. Ela sentada no banco, a bordar, ela olhando o horizonte, ela a sorrir, o seu rosto com tal detalhe que parecia que durante toda a sua vida ele não olhara para nada mais além dos traços dela.&lt;br /&gt;A boca abriu-se-lhe em surpresa, e ele riu-se.&lt;br /&gt;- Espero que não te importes… Não pude resistir, estavas linda. – Pousou a folha no colo dela, e deu-lhe para as mãos a flor dourada. – Quer dizer, és linda.&lt;br /&gt;O sorriso dela rasgou-lhe o rosto vermelho pelo elogio, e o silêncio foi quebrado. Naquele dia, a flor dourada foi guardada religiosamente na gaveta do quarto, para durar para sempre.&lt;br /&gt;De repente, a porta do quarto abriu-se, e ela despertou da recordação. A flor nas suas mãos figurou-se-lhe no seu estado real, seca e com algum pó, apenas uma amostra do esplendor dourado que fora outrora.&lt;br /&gt;- A pensar na vida, Amélia? – disse ele, com um sorriso que lhe iluminava sempre os olhos verdes e fazia esquecer todas as rugas que lhe rabiscavam a pele morena.&lt;br /&gt;E entrando, foi junto dela e abraçou-a, sob o quadro com o desenho do rosto dela, a sorrir, sentada no banco do jardim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto criado para o exercício "Palavras para  uma imagem", da &lt;a href="http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/"&gt;Fábrica  de Histórias&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5371496613414630692-6854872638581238370?l=tracos13.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tracos13.blogspot.com/feeds/6854872638581238370/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tracos13.blogspot.com/2010/07/o-tempo-parou-nela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5371496613414630692/posts/default/6854872638581238370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5371496613414630692/posts/default/6854872638581238370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tracos13.blogspot.com/2010/07/o-tempo-parou-nela.html' title='A Flor Dourada'/><author><name>CJ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14067923468960030011</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-uAlDVZ6gOgU/TrauS1FiJoI/AAAAAAAAAYI/nDV8WzHFtEs/s220/images.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vQxzY3Igb1w/TDG3IxlITqI/AAAAAAAAAMo/evpCeFjxVvg/s72-c/flor+dourada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5371496613414630692.post-9197912584272344287</id><published>2010-05-02T11:00:00.000-07:00</published><updated>2010-09-23T13:40:41.081-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Liberdade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_vQxzY3Igb1w/S93F22E6c3I/AAAAAAAAAFY/-Bly9Nphh-0/s1600/6261686_JDoKz.jpeg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 282px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_vQxzY3Igb1w/S93F22E6c3I/AAAAAAAAAFY/-Bly9Nphh-0/s400/6261686_JDoKz.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466743068717380466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os dias eram iguais. Levantava-se antes da luz, quando os últimos pirilampos ainda brilhavam no sossego dos arbustos. Lavava o rosto na bacia de porcelana branca e tosca, com contorno em risco azul e pequenas flores pintadas à mão. A água fria endurecia-lhe as mãos, e despertava-a do sono. Em seguida, vestia a saia castanha, em tecido grosseiro e que lhe pesava na anca, e com o corpete verde cobria a blusa branca, rendada nas mangas. Por fim, punha-se em frente ao espelho, observando o rosto de jovem mulher. Não combinava com as mãos marcadas pelo trabalho da casa. Prendia os cabelos castanhos com os ganchos, e assim estava pronta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu para a cozinha, enquanto o marido ainda ressonava no quarto. E tal como no dia do casamento, há quatro anos atrás, continuava a achar-se demasiado nova para ser já uma dona de casa. Além de que, na verdade, não amava aquele homem com quem se deitava todos os dias. Mas na aldeia onde vivia, a mulher não tinha direito a grande opinião quanto ao casamento que o pai lhe escolhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, apesar de Maria ter silenciado na expressão verbal, o seu pensamento mantinha-se. Sempre sonhara ir para a cidade, estudar e ser professora da escola primária, como a que tivera e que considerava tão importante por lhe ter ensinado a ler. Imaginava-se a viver num sítio grande, com prédios e jardins cuidados, com carros e pessoas bem vestidas e cultas. A vida dera-lhe a volta, e agora apenas os sonhos viviam nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou numa maçã da tigela onde tinha a fruta, em cima do móvel de madeira áspera, e sentou-se à mesa. Tudo era duro na sua casa. Os móveis, o silêncio, o amor do marido. Duro e triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O piar do pardal despertou-a dos pensamentos já habituais. Há dois anos que José o capturara e mantivera cativo na gaiola de madeira, dando-lhe todos os dias água fresca e pedaços de maçã cortados por ela. O pardal tinha mais atenção do marido do que ela, o que a seu ver, era um alívio. Já estava habituada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas curiosamente, o pardal parecia gostar mais dela do que de José. Olhava-a, com os olhitos redondos e negros de um universo desconhecido, com um brilho de quem compreende. Quando ela lhe sorriu, ele retribuiu com um novo piar e o agitar das asas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria pegou numa faca, segurando o cabo de madeira com os dedos calejados do cajado e da água com sabão de lavar aa roupa. O sol já ameaçava espreitar pela pequena janela, cortando a impureza do vidro grosso que protegia o interior da casa do mau tempo. Um fio de ouro tocou ao de leve a mesa, avançando timidamente para a mão dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espetou a faca na maçã, fazendo estalar a pele vermelha num odor suculento. Traçou um golpe certeiro, e em seguida desferiu um outro golpe semelhantemente milimétrico, cortando um gomo. Uma lágrima do fruto caiu-lhe na mão, que ela beijou suavemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animado pelo odor da maçã tentadora, o pardal piou, enquanto saltitava na gaiola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É por isso que gostas tanto de mim... - murmurou-lhe Maria, com o gomo na mão. - Dou-te um pouco de alegria dentro da tua prisão, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviu o marido a entrar na cozinha e calou-se. O cheiro da ausência de higiene era o cumprimento matinal, e por muito que tentasse ignorar, o nariz dela insistia em dar-lhe uma leve náusea todas as manhãs. Os rapazes da cidade seriam mais asseados, com certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda não foste buscar o leite? - inquiriu ele, a voz rude a silenciar o ouro do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou já. - respondeu ela, fitando o gomo da maçã, enquanto lhe retirava com o bico da faca dois caroços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa estar, eu vou. - Ele acabou por dizer, num tom de quem não está para discussões. Para José, aquela esposa era um mistério. Quando o pai dela lhe propusera casamento, jurara a pés juntos que ela era sossegada, mas um bom partido como mulher. Que cuidaria da casa com ânimo, e que embora fosse sonhadora, com uma mão firme assentaria na realidade e adoraria o marido como quem adora Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro anos depois, José começava a ter quase a certeza de que fora ludibriado. Aquela mulher tinha defeito, e não lhe encontrava emenda. Era calada, como se dentro da cabeça vivesse num mundo diferente. Fazia as tarefas diárias como uma concha vazia. Mesmo na cama, quando ele a procurava, ela limitava-se a ceder em silêncio, e no fim, virava-se para a parede sem pedir um aconchego sequer. Uma tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria viu-o sair porta fora, e sorriu instintivamente para o pardal. Ao piar dele, percebeu que de algum modo misterioso, ele a compreendia. E naqueles olhinhos redondos e negros, viu o brilho da cidade dos seus sonhos, da vida de mulher feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pousou a maçã cortada em cima da mesa, aconchegada junto de uma laranja que colhera no dia anterior, ainda com a rama de largar folhas verdes. O sol já inundara a mesa totalmente, dourando-lhe as mãos, a madeira, a fruta e as penas do pardal sorridente. Os olhos caíram-lhe então sobre o balde do leite, que o marido saíra sem levar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquele idiota esqueceu-se que não pode trazer o leite na algibeira! - comentou com o pardal, com um sorriso irónico. Ele saltitou na gaiola, ansioso pelo gomo da maçã que ainda restava nas mãos dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento iluminou-se-lhe de imediato. Olhou para o relógio, que indicava as 5h30 da matina. O marido não tardaria a voltar em busca do balde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem diz que não podemos conseguir a nossa liberdade? - murmurou ela para o pardal, enquanto pousava o gomo da maçã diante dele e abria a porta da gaiola. - Só temos de ter uma ajudinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resoluta, levantou-se, e antes de sair pela porta de casa, de balde na mão, em busca do marido e do leite, deixou a janela da cozinha aberta. Pelo menos, alguém seria feliz nesse dia. Mesmo que apenas o testemunhasse com o piar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto criado para o exercício "Palavras para uma imagem", da &lt;a href="http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/"&gt;Fábrica de Histórias&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5371496613414630692-9197912584272344287?l=tracos13.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tracos13.blogspot.com/feeds/9197912584272344287/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tracos13.blogspot.com/2010/05/liberdade.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5371496613414630692/posts/default/9197912584272344287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5371496613414630692/posts/default/9197912584272344287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tracos13.blogspot.com/2010/05/liberdade.html' title='Liberdade'/><author><name>CJ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14067923468960030011</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-uAlDVZ6gOgU/TrauS1FiJoI/AAAAAAAAAYI/nDV8WzHFtEs/s220/images.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vQxzY3Igb1w/S93F22E6c3I/AAAAAAAAAFY/-Bly9Nphh-0/s72-c/6261686_JDoKz.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5371496613414630692.post-2445780641727686443</id><published>2010-04-27T07:06:00.000-07:00</published><updated>2010-04-29T09:38:53.544-07:00</updated><title type='text'>O Começo...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este blog tem como objectivo a participação nos desafios lançados pela &lt;a href="http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/"&gt;Fábrica de Histórias&lt;/a&gt;. Desejem-me sorte!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5371496613414630692-2445780641727686443?l=tracos13.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tracos13.blogspot.com/feeds/2445780641727686443/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tracos13.blogspot.com/2010/04/o-comeco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5371496613414630692/posts/default/2445780641727686443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5371496613414630692/posts/default/2445780641727686443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tracos13.blogspot.com/2010/04/o-comeco.html' title='O Começo...'/><author><name>CJ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14067923468960030011</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-uAlDVZ6gOgU/TrauS1FiJoI/AAAAAAAAAYI/nDV8WzHFtEs/s220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
